[RESENHA] Objetos Cortantes - Gillian Flynn



Só de olhar pra capa do livro e repetir seu título sinto como se a realidade da história pudesse me alcançar, mesmo com a capa fechada. 
A Gillian Flynn tem esse poder sobre nós. Os dramas e peculiaridades de cada personagem nos assombram por um tempo, não importando quanto tempo passe desde o término de cada leitura. Essa é só uma das suas inúmeras características. Eu sou completamente apaixonada por essa autora, pela sua escrita, sua criatividade, coragem e perspicácia. 
É bem verdade que não gosto da linguagem chula que ela usa, por vezes, sem fundamento. Ás vezes parece mesmo uma forçação de barra, sabe? Se eu pudesse dizer qualquer coisa para a Gillian seria: "Você não precisa dos palavrões para ser lida. Você não precisa xingar para passar emoção. Isso faz parte de você e das suas personagens, por favor, apenas pare. E nunca pare de escrever. <3"

Mas vamos ao que interessa? Objetos Cortantes foi o segundo livro da autora que eu li. E é uma responsabilidade e tanto, pois Garota Exemplar ocupa o posto de meu livro favorito. A expectativa estava nas alturas quando comecei o Objetos Cortantes e a Gillian não decepcionou. Não chegou a altura, mas a qualidade se manteve. 
Seria uma boa oportunidade se Camille não tivesse uma mãe completamente desequilibrada, com quem mantivera escasso contato, um padrasto esquisito e submisso e uma meia irmã com quem teve pouco ou nenhum contato. 
Seria uma boa oportunidade se Camille tivesse grana para se hospedar num hotel, e não precisasse ficar na casa da mãe...
Mas eu não disse que era uma boa oportunidade. Eu disse apenas que era uma tarefa-chance-última oportunidade de dar um jeito na sua carreira/vida. Não é nada parecida com o que ela gostaria, mas é a sua única oportunidade. E ela precisaria enfrentar seus medos e fantasmas. 
Sabe quando você vai lendo e pensa: "Ah, não dá pra piorar..." E descobre que dá sim? Esse livro causa isso! 

Camille Preaker é uma jornalista de um pequeno jornal em Chicago. Após passar uma temporada num hospital psiquiátrico, por motivos não explicados no início do livro, recebe uma tarefa-chance-última oportunidade de dar um jeito na sua carreira/vida. É, tudo tá meio implícito, meio interligado, não há como falar de um sem falar do outro. 

Seria perfeito receber uma oportunidade dessas se o furo jornalístico não fosse a investigação sobre duas meninas, uma assassinada e outra desaparecida, na sua cidade natal, a pequena Wind Gap no Missouri. 

Seria uma boa oportunidade se não fizessem oito anos desde que Camille foi embora de Wind Gap, deixando pra trás um passado dolorido, triste e que ela tentava a todo custo fugir (como se fosse possível). 

Apesar de todos os defeitos, uma coisa que essa menina tem é coragem. Foi lá de mala e cuia se hospedar na luxuosa e paradoxalmente desconfortável mansão de sua mãe e sob TOTAL desaprovação de sua mãe, iniciou seu trabalho investigativo entrevistando velhos conhecidos e novos moradores da cidade, buscando matéria prima para sua pauta. Dedicar-se totalmente a essa investigação significava para Camille reviver muitos momentos de sua infância, adolescência. Um passado impossível de apagar, por mais que ela tentasse. Aos poucos, Camille descobre novas camadas e novos níveis de seus medos e relacionamentos.

Essa história falou comigo sobre quem realmente somos, nossas memórias, nossos medos e raízes. Independente de quem construirmos ser para uma sociedade após um recomeço, existem certas marcas que permanecerão para sempre. (literalmente).


Título: Objetos Cortantes
Autor: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
Ano de Publicação: 2015
Extensão: 254p.




ISBN978-8580576580

Objetos Cortantes na Livreto.co

Segue vídeo promocional feito pela Intrínseca sobre o livro.




Por lugares incríveis de Jennifer Niven


Todo mundo que me conhece já está careca de saber que sou fã de carteirinha do gênero Young Adults. É bem verdade que meu trabalho influenciou muito esse processo e que para poder interagir com meus alunos, comecei a me interessar muito mais pelo que eles lêem e me apaixonei. Comecei com aquela postura de alguém mais velho, mais experiente, quase como se fosse bisbilhotar o que havia e se havia algo de errado no que eles andavam lendo, quase como se estivesse buscando algo a ser censurado, repreendido. Ao final, o que repreendi e censurei foi meu preconceito. Julgar um livro pela capa é tão clichê e tão perigoso que preciso repetir isso sempre. O óbvio precisa ser dito, não é mesmo? 


Eu tinha acabado de ler Objetos Cortantes da Gillian Flynn, resenha em breve, e buscava por algo mais leve, mais descontraído, que pudesse me tirar da ressaca literária que Camille Preaker me deixou. Ledo engano. Não se deixe levar por essa capa lindinha de fundo azul e legos coloridos. Não, não é uma historinha para crianças. O livro apesar de parecer bobo, trata de temas bastante pesados como suicídio, transtornos mentais, depressão, bullying e Jennifer Niven faz isso com maestria, sensibilidade e uma atenção a detalhes que só quem já passou por essas experiências poderia ter. Ela também brinca com as palavras, referências e citações com autoridade de quem além de escrever, lê. E são referências maravilhosas e que encaixam perfeitamente na história. Amo metaliteratura, rs.

Por lugares incríveis é um daqueles livros que te engana pela capa. Eu me interessei por ele numa visita à livraria Saraiva, mas não o comprei naquele momento. Uns dois meses depois fui à Bienal e lá estava ele com 30 por cento de desconto. Não perdi a chance.

Theodore Finch, o ABERRAÇÃO é o maior alvo de bullying de toda a escola, única da cidade e que possui cerca de 2000 alunos. Ele é um pouco obcecado pelo tema suicídio, do tipo que pesquisa diferentes métodos, estatísticas, características, efiácia... E sempre se pergunta se conseguiria levar algum deles adiante. No fundo, ele acredita que um dia conseguirá: 

“Será que hoje é um bom dia para morrer?”. 
Finch, apesar de seus “apagões”, momentos em que ele perde a noção do tempo ao seu redor, é muito consciente a respeito de sua condição mental e emotiva e reconhece que tem um problema. Porém, se preocupa  muito com rótulos. Teme ser reduzido a uma doença, a um diagnóstico e com um pai violento e repressor, uma mãe omissa e frágil e uma irmã um pouco ausente, ele não consegue encontrar ninguém em quem confie o suficiente para pedir ajuda. O livro não diz exatamente o que Finch tem, descreve alguns sintomas e sensações, mas só fica claro que ele possui um problema. Fiquei curiosa e fui pesquisar e acredito que ele possa ter Transtorno de Personalidade Limítrofe ou Borderline.

Lendo essas características, você pode achar que ele é um cara depressivo, melancólico, que tem pena de si mesmo... mas não. Ele é um dos personagens mais carismáticos e complexos que a literatura já pôde me apresentar. Aquele tipo de pessoa que apesar de sua vida difícil, suas marcas dolorosas, possui uma leveza e uma alegria de viver cada momento que contagia a todos. Talvez, ele seja assim, por sempre pensar na morte e saber o quão próxima ela deve estar.  

Violet Markey, a garota bonita e popular, que por fora parece viver num mundo perfeito e cor de rosa mas que se esconde atrás de sorrisos, do seu medo de se expor e viver. Violet costumava ser a garota perfeita. É aquela personagem sempre presente nos livros e filmes adolescentes, a que costuma nos mostrar que ninguém é o que aparenta ser e coisa e tal. Ultravioleta Markante sofre um acidente de carro com sua irmã Eleanor e Eleanor morre. Violet se entrega à dor da perda e precisa lidar com toda a pressão em seus ombros. A pressão de ser tudo o que Eleanor não conseguiu ser por ter sua vida interrompida. A pressão de aprender a ser sozinha, aprender a não viver mais na sombra de sua irmã. A pressão é tão grande que ela desiste de viver os dias e passa a apenas contá-los. Se esconde atrás do “Eu ainda não estou pronta.” e se isola do mundo e de tudo o que lhe dava felicidade e prazer anteriormente. 

Até que ela conhece Finch, o aberração. Esperto e perspicaz, Finch insiste até que consegue que façam um projeto de geografia juntos que consiste em explorar e conhecer pontos e lugares que Indiana tem a oferecer (quase nenhum aos olhos de Violet e dezenas de possibilidades aos olhos de Finch). Finch tem que lidar com o mau humor de Violet, seus medos, indiferença, desconfiança e faz isso de uma forma tão paciente e delicada, com tanta atenção aos detalhes que você fica desejando que um dia alguém te ame da forma como ele ama Violet. 
Mas há algo mais nessa relação e nessa história que nos ensina. Finch, o problemático e o aberração ensinou tanto a Violet que eu arrisco dizer que ele a mudou para sempre: 

"Agora tudo o que vejo é uma garota morrendo de medo de viver. Vejo as pessoas darem um empurrãozinho de vez em quando, mas nunca forte o suficiente porque não querem contrariar a pobre Violet. Você precisa de um baita tranco, não de um empurrãozinho. Você precisa retomar as rédeas. Ou vai ficar em cima do parapeito que construiu para si mesma para sempre."
Na verdade, acho que os dois mudaram a mim para sempre. Eles aqueceram meu coração para então quebrá-lo em milhões e pedacinhos e depois aquece-lo novamente. Vou carregá-los sempre comigo e sei que é uma daquelas histórias que ficarão na minha cabeça por um tempo.

"O que percebo agora é que o que importa não é o que a gente leva, mas o que a gente deixa."
E eles definitivamente deixaram algo comigo. 

Outra ressaca literária, socorro! Qual será o próximo título? Preciso de outro livro AGORA! 

Marque Por Lugares Incríveis como lido na Livreto.co!

Título: Por Lugares Incríveis

Autor: Jennifer Niven

Editora: Seguinte (Cia das Letras)Ano de Publicação: 2015

Extensão: 335 p. 
ISBN: 978-8565765572

Leitura com gostinho de infância!


Leia Mais:http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,colecao-vaga-lume--que-revolucionou-a-literatura-juvenil--esta-de-cara-nova,1769263
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A Coleção Vaga-Lume da editora Ática é uma série de livros infanto juvenis que teve seu primeiro exemplar lançado em 1972. Muitas escolas na tentativa de atrair o jovem leitor para obras menos densas que os clássicos literários, adotaram títulos da série Vaga-Lume como livros paradidáticos a serem trabalhados nas disciplinas curriculares. Com uma grande aceitação do público jovem, a série fez muito sucesso e é lembrada com muito carinho por muitos leitores. Inclusive a mocinha que vos escreve aqui! <3

Confira na íntegra a matéria do Estadão: Coleção Vaga-Lume, que revolucionou a literatura juvenil, está de cara nova

Bienal atrai público recorde e vendas superam números da última edição no Rio de Janeiro

Crise? Que crise? 

Nós, leitores, esquecemos do mundo afora quando nos encantamos e apaixonamos a cada stand. 
Saímos de lá com mãos cheias de sacolas, uma lista enorme de livros para ler e uma fatura de cartão de crédito para pagar até a próxima bienal!

Fonte: http://www.blogdaeditorarecord.com.br/2015/09/14/bienal-atrai-publico-recorde-e-vendas-superam-numeros-da-ultima-edicao-no-rio/

Fim

Toda vez que termino um livro, dá uma sensação de que estou órfã, de que sentirei saudades daquelas personagens que me acompanharam por um tempo...

Daí pra matar a saudade, inicio outra leitura e me sinto meio que traindo as personagens do livro anterior ao colocar uma nova história no lugar. Um novo cenário, novos conflitos e novas sensações...

E começa tudo de novo!

Só eu me sinto assim?

Livros, livros, livros por Cora Rónai

Hoje, 8 de setembro de 2015, a Cora Rónai escreveu para o GLOBO em sua coluna um texto muito interessante sobre livros e seus suportes físico e digital. 

Nele, Cora faz uma breve passagem a respeito de quando os e-readers chegaram ao Brasil e menciona como isso mexeu com o mercado editorial. Havia até quem dissesse que os livros impressos "acabariam". Na minha área, biblioteconomia, esse debate teve uma visibilidade e levantou questionamentos mais profundos, pois chegou até a se dizer que era o fim dos bibliotecários ou pelo menos o fim das bibliotecas nos moldes tradicionais. 

Tanto o livro impresso como o e-book possuem pontos positivos e pontos negativos. Os e-books são sem dúvida mais baratos, mais leves, versáteis e garantem uma facilidade maior de armazenamento. Porém, há quem não consiga abrir mão do encanto e sensação que é ter um livro físico em mãos, sentir seu cheiro, folhear as páginas. Particularmente, o que eu mais gosto é de ir vendo a proporção do que já li e o que ainda falta ler e a sensação de indecisão ao entrar no dilema: termino logo esse livro para saber o que vai acontecer ou leio devagar para estender a companhia das personagens? 
Ultimamente tenho me sentido muito tentada a adquirir um Kindle, mas quando deito na minha cama e olho para meus livros expostos nas prateleiras... dá uma sensação boa. Lembro dos personagens principais ao passar os olhos por suas capas. Acho que serei daquelas que mesmo depois de rendida ao e-reader, continuarei comprando meus títulos favoritos no formato impresso só para guardar.

As livrarias lotadas de jovens e o aumento das vendas de livros impressos mostram que apesar de o e-reader e os e-books vir conquistando seu lugar ao sol e no mercado editorial brasileiro também, o livro impresso sempre terá um espaço todo dele nas nossas estantes e nos nossos corações.

Leitura super recomendada: Livros, livros, livros por Cora Rónai

Voluntariado no Instituto Fernandes Figueira

Ei, você que ama ler, ama crianças, reside no Rio e possui disponibilidade de tempo... Que tal investir seu tempo e amor na vida e recuperação de quem precisa?

O Instituto Fernandes Figueira está precisando de interessados para integrar seu quadro de voluntários para seus projetos. Quer saber mais? Visita o link aqui, ó:

Mais informações sobre o voluntariado no IFF